História e Geografia - Na luta - Fora PM do Mundo! Fora Univesp!

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CARTA ABERTA DOS ESTUDANTES DE LETRAS
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Desde que entraram em greve, no começo do mês de junho, os estudantes de Letras da Universidade de São Paulo optaram por não retirar cadeiras das salas de aula, nem mesmo fazer piquetes na frente do prédio.

Essa decisão consensual no meio estudantil tinha por objetivo zelar pelo diálogo e convencimento entre as partes, portanto, sempre que uma aula começava, um grupo era formado para informar os colegas de curso sobre as decisões das assembléias (tanto de estudantes como de professores e funcionários), esclarecer dúvidas e convencê-los a aderir ao movimento.

No dia oito de junho, um professor, Gabriel Antunes de Araujo, impediu um grupo de estudantes de levar essas informações aos seus alunos. As turmas deste professor eram as únicas, no curso de Letras, a se manterem completamente lotadas durante a greve. Ao final dessa aula, uma aluna do professor encaminhou-se à assembléia dos estudantes da Letras que acontecia na entrada principal do prédio e deu informe de que o professor teria a prática de, talvez para impedi-los de aderir ao movimento grevista, informar aos alunos que ele não estava em greve, não aderiria a ela e seus alunos que o fizessem correriam o risco de ser reprovados ou por acúmulo de faltas ou por perda de avaliações. Foi decisão unânime da assembléia que a atitude do professor poderia configurar assédio moral, já que alunos seus estavam sendo impedidos de decidir por si próprios, como informara esta estudante, se adeririam ou não à greve já deflagrada pelos três setores (professores, estudantes e funcionários). A assembléia decidiu, então, de forma conjunta, encaminhar-se até a sala onde o professor estava, sem piquete físico do lado
de fora, mas com piquete moral do lado de dentro, e garantir que seus representados estudantes fossem informados, esclarecidos e tivessem o direito de decidir por si próprios se queriam continuar dentro daquela sala ou sair dela, sem nenhuma pressão ou assédio moral.

Assim que os primeiros estudantes entraram na sala, o professor doutor Gabriel Antunes de Araújo correu em direção a eles, deu um salto e socou com os dois punhos o peito de um ingressante do primeiro semestre do curso, empurrando-o para trás. Em seguida, o professor saltou à porta, bateu-a com força contra os demais estudantes que entravam e tentou mantê-la fechada à força, colocando um dos pés para trás, para ter mais apoio, danificando a maçaneta da porta. Percebendo o ridículo da situação, o
professor recuou, foi até sua mesa, sacou seu aparelho de telefone celular e começou a fotografar o rosto dos estudantes da assembléia. Percebendo amovimentação, outros professores que passavam pelos corredores tentaram acalmar os ânimos tanto do professor quanto dos estudantes, propondo que ali se estabelecesse o diálogo. A partir daí, Gabriel Araujo passou a dizer,
ainda em estado alterado, que nenhum estudante estaria coagido a assistir suas aulas. “Não recebo por cabeça, portanto é até melhor que eu tenha menos alunos na sala de aula”, disse provocativamente o professor. Disse isso tudo não sem dirigir, de forma
lamentável para um professor da universidade mais respeitada do país, palavras de baixo calão a um dos diretores do CAELL, o centro acadêmico dos estudantes do curso de Letras da USP.

Este mesmo professor, semanas antes, entrara em conflito com o movimento estudantil, quando, segundo relatos, haveria agredido verbalmente uma aluna em uma paralisação. Na ocasião os estudantes decidiram fechar uma das entradas do prédio e deixar a outra aberta. Araujo, para espanto de todos, teria olhado de forma provocativa aos manifestantes e começado a empurrar
agressivamente mesa e cadeira que ali estavam para cima de uma aluna, em uma tentativa brusca de forçar passagem. Intimidada, nossa colega retirou-se rumo à biblioteca. Tivemos relatos de que ele a teria seguido e apontado o
dedo, de forma ameaçadora. Segundo outras pessoas, que ouviam mas não viam o incidente, ele estaria "berrando que nem um maluco".

Esse mesmo professor teria caracterizado diversas vezes, em sala de aula e fora dela, o movimento de estudantes, professores e funcionários de maneira pejorativa e caluniosa. Segundo alunos matriculados nesse semestre, nas duas matérias lecionadas por ele, desde que a greve começou, o docente teria cobrado presença dos alunos, marcado prova e avisado por e-mail que o
conteúdo da mesma seria dado durante o período de greve.

São, no mínimo, insensatas as posições deste professor, cuja contratação pela USP só foi possível graças ao longo movimento grevista de 2002, que conquistou a maior contratação de professores da história da Faculdade. Entretanto, deixamos de nos surpreender, quando passamos a saber que, publicamente, Gabriel Antunes de Araujo é partidário de João Grandino Rodas,
o membro do CO responsável pela relatoria da resolução que autoriza a entrada da PM na universidade.

Após todos os incidentes relatados acima, mostrando e confirmando que não cederia ao diálogo de forma alguma - diálogo tão prezado e necessário em uma universidade, local onde as divergências e o debate são tão imprescindíveis
quanto dispensáveis são a truculência, a força física, a ameaça moral e policial -, o professor resolveu continuar suas aulas no prédio da Química, para onde convocou seus alunos.

Todos estes fatos aqui relatados foram colhidos de inúmeras testemunhas que assistiram, estupefatas, ao rol de arroubos cênicos descontrolados do professor. Caso algum departamento, a Congregação ou outra parte qualquer considere necessário, nós podemos convocar essas testemunhas para relatar pessoalmente cada um desses lamentáveis acontecimentos protagonizados por um professor tão respeitado por sua produção acadêmica, mas tão relapso em respeito à democracia e ao debate de idéias, um fundamento indispensável, para a produção de conhecimento na universidade.

 

 

 

Estudantes do curso de Letras da USP:

Amanda de Moraes Brito
Ana Beatriz da Costa Moreira
Ana Cláudia Borguin
Antônio Fernandes Góes Neto
Arielli Tavares Moreira
Beatriz Cyrineo Pereira
Carolina Solano Carrion
Diego Navarro
Diogo Moraes Leite
Edilson da Silva Cruz

Emi Asakura
Erika Pires
Estevão Pascole

Fernando Bustamante
Fernando Peres Penteado

Francisco Cabral
Gabriela Hipólito

Guilherme Augusto de Assis Rodrigues

Gustavo Diniz de Faria

Ícaro Francesconi Gatti
Isadora Rebello

Ísis Liberato Martins

Ivan Antunes

João Paulo de Cária Silva

José Eduardo de Souza Góes

José Quibao Neto
Julia de Almeida
Juliana Lopes Miasso
Kraly de Castella

Lucas George

Leandro Paixão

Luciana Placucci Vizzoto

Luiz Henrique Vieira Lins

Maria Júlia Alves Garcia Montero
Marcilia Barros Brito
Marina Almeida Nascimento

Micael Cimet Dattoli
Michel de Castro Sousa

Milena de Moura Barba

Natalya Amaral Stabile
Nathalia Canale Guerra

Oriana Harumi de Lima Tanaka

Pablo Angyalossy Alfonso

Paula Aparecida Carvalho

Pedro Ribeiro

Peter Mac Hamilton

Raiana Araujo
Rafael de Almeida Padial

Rafael Zanvettor
Renata Alves da Silva
Ricardo Maciel
Sâmia de Souza Bomfim

Simone Oliveira

Suelen A Pereira

Taila Virgine Costa

Tatiana Castro

Thais França Freire

Vanessa Couto da Silva
Vinícius de Lima Zaparoli

Vitor Mortara


Solidariamente, estudantes de outros cursos da USP:

Gabriela Iglesias - curso de ciências sociais
Luana Cordeiro Cardoso - Ciências Sociais
Ludmila Facella - Artes Cênicas

Amanda Freire de Sousa - Filosofia - USP


Solidariamente:
Diego Vilanova, professor da rede estadual
Maicon Alves de Miranda, empresário
Maria Estela Veneziane, estudante de Psicologia da Unicsul
Teila Cristina Veneziane, psicóloga
Ana Cristina Oliveira da Silva - Professora de História - Recife/PE

Rosa Guadalupe Soares Udaeta - historiadora




As seguintes entidades e órgãos representativos:


Gestão Ver Com Olhos Livres, do CAELL
Comando de Greve dos Estudantes da Letras USP

Assembléia do curso de Letras


comando da união sinistra! segunda, 27/07!
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galera!



essa segunda , às 18h, no espaço aquário, teremos mais um comando da unificado história/geografia!

a montagem da semana de mobilização está muito bem estruturada. entretanto, falta acertamos alguns detalhes para que possamos, a paritr desta semana, divulgá-la!

a idéia trocarmos idéia na segunda e nos proximos dias realizar uma força-tarefa de divulgação - crafts, panfletos, painéis e tudo  mais.

o nome da semana, ao que tudo indica, será




Semana de debates: Memórias, Realidades e Movimentos




11/08 :: Terça - Painel sobre Univesp com César Minto
no anfiteatro da História


12/08 :: Quarta - Debate sobre a Estrutura de Poder na Universidade com
* José Pereira de Queiroz Neto (Geografia)
* Carlos Guilherme Motta (História)
* Pablo Ortelado (EACH/USP)

no anfiteatro da Geografia


13/08 :: Quinta - Bate-Papo sobre Criminalização dos Movimentos Sociais
Tribunal Popular, MST, MTST, Sintusp, Adusp, DCE, Associação de Moradores de Paraisópolis,Movimento da São Jorge, integrante da ocupação pinheirinho, integrante da favela real parque

No dia do bate-papo, na parte da tarde, ficaremos passando  vídeos que os movimentos sociais produziram sobre as formas de criminalização que vem sofrendo.

no Espaço Aquário


montaremos também um painel sobre a mobilização na greve para expor durante a semana.

 


14/08 :: Sexta - Festa  "Contra o Capital, Skol a  um Real!"

com bandas e discotecgaem da rádio várzea!

no Espaço Aquário




- Todas as atividades, com exceção da festa, serão das 17horas às 20:30


e vamo que vamo!


abs!


"união sinistra que apavora e arrepia
é história e geografia"

comando de mobilizaçao da união sinistra!
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Olá pessoas,

No último 13/07 houve mais um encontro do  Comando de Mobilização Hist./Geo ou Geo/Hist.!
Nessa reunião fechamos a programação da semana, ainda sem nome, que segue abaixo:

11/08 :: Terça - Painel sobre Univesp com César Minto
no anfiteatro da História


12/08 :: Quarta - Debate sobre a Estrutura de Poder na Universidade com
* José Pereira de Queiroz Neto (Geografia)
* Carlos Guilherme Motta (História)
* Pablo Ortelado (EACH/USP)

no anfiteatro da Geografia


13/08 :: Quinta - Bate-Papo sobre Criminalização dos Movimentos Sociais
Tribunal Popular, MST, MTST, Sintusp, Adusp, DCE, Associação de Moradores de Paraisópolis e o Movimento da São Jorge.

no Espaço Aquário


14/08 :: Sexta - Festa com banda e Skol a R$1,00 !!!!

no Espaço Aquário


- Todas as atividades, com exceção da festa, serão das 17horas às 20:30


A próxima reunião, segunda-feira 20/07 às 18horas.


"união sinistra que apavora e arrepia
é história e geografia"

Continuando a mobilização!
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Na última terça-feira, houve o encontro do Comando de Mobilização Geografia/História que discutiu, especificamente, a construção de uma semana de atividades no momento do retorno às aulas, no segundo semestre.
Algumas coisas foram encaminhadas:

*Eixos:
Os eixos serão: Criminalização aos Movimentos Sociais,
Estrutura de Poder na USP e
UNIVESP.

a princípio as atividades acontecerão em três dias na semana do dia 10/08. a idéia é paralisar as aulas parcialmente.

*Formato:
Este é um ponto que se encontra em aberto, mas a ideia inicial é que tenhamos um grupo de discussão sobre Criminalização dos Movimentos Sociais, um debate sobre Estrutura de Poder na USP e um painel sobre a UNIVESP. Os nomes de quem irá compor cada mesa, também se encontram em aberto, menos o painel que será o César Minto da Adusp.
- Houve uma boa discussão, mas não o suficiente, sobre o Movimento Estudantil, sua estrutura de poder (afinal, se nós estamos discutindo a da instituição universitária, pq não fazermos isso consoco?), aspectos que tangem a questão da representatividade. Foi apontado de realizarmos algum tipo de atividade sobre este tema -  não durante essa semana - para debatermos mais sobre esse ponto.
 

Ficou claro q nós não procuraremos ajuda do DCE. se eles tiverem interesse no q estamos realizando, eles q se juntem a nós. a iniciativa  parte da hist/geo, que caminharam durante toda a mobilização no sentido contrário ao DCE e seu comando de greve.

a idéia é tentar expandir para os outros cursos, desde que consigamos solidificá-lo na nossa querida rodoviária. o que é bem provável.

O Próximo encontro está marcado para a segunda-feira (13/07) às 18horas no Aquário (Hist./Geo.)
 
Nessa segunda, então, podemos nos organizar melhor para trocarmos idéia nos outros cursos, seja para falarmos com os outras pessoas e CAs como para escrevero panfletos e distribuí-los. E também para dar prosseguimento às formas e conteúdos dos eventos e as pessoas que convidaremos!
 

até segunda!

bom feriado! (pelo menos pra isso a revolução? constitucionalista serviu!)
 
 

TRIBUNAL POPULAR
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Galera, o tribunal popular já existe há um tempo.
Essa seção de agosto busca se contrapor à conferência nacional de segurança pública que o governo federal irá realizar.

VAMO AE!!




O que será da Universidade de São Paulo no futuro?
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por Cristiano, 4º Ano, História       

 
Basta caminhar pelas unidades da USP para rapidamente obter a resposta.
 
Ancoradas na  Universidade estão fundações milionárias que faturam pesado comercializando com a “marca” USP, cursos, consultorias, pesquisas e estudos.
 
Se por um lado o sistema de vestibular sepulta os sonhos de milhares de jovens, da entrada em uma universidade pública, as fundações por outro, cobrando caro, a peso de ouro, possibilitam a entrada na USP de pessoas dispostas a desembolsarem uma fortuna, muitas vezes patrocinadas por empresas, para polirem seus currículos.
 
Qual a correlação entre a falta de democracia na Universidade e a proliferação de institutos e fundações?
 
Até que ponto a democratização dos processos decisórios não colocaria em risco as atividades milionárias destas pessoas que de maneira vergonhosa privatizaram uma instituição de ensino que deveria ser pública? Que tipo de serviço esta gente está prestando?
 
  O que será da Universidade de São Paulo no futuro?
 
O que são as fundações hoje! Lugar de venda de conhecimento e apuração de vultosos lucros sem qualquer compromisso com inclusão social, reflexão crítica, formação humana, enfim são empresas de ensino voltadas para o mercado consumidor (para quem tem dinheiro para pagar!). A privatização já ocorreu.
 
Quanto vale a marca USP?
 
Por exemplo, um mestrado em Administração na Fia, fundação ligada à Fea-Usp, custa à Vista: R$ 53.100,00!!.
No site www.fia.com.br informam que já formaram mais de 6.000 pessoas nos cursos de MBA´s em 16 anos de atividades; ou seja  6.000 pessoas  x R$ 30.000,00 (custo médio de um MBA) = R$ 180.000.000,00!!!. Que espetáculo de serviço público prestado!
 
Outro magnífico exemplo é o trabalho da Fundação Carlos Alberto Vanzolini (www.vanzolini.org.br). Seus belos anúncios, todos os domingos nos principais cadernos de empregos de São Paulo, são pérolas! Prestam o magnífico serviço de venda de cursos de extensão e MBA a profissionais de mercado com a “grife” USP.
 
Que Usp queremos? O que está em jogo no processo de Democratização? Quanto vale a marca USP?
 
A Usp, ainda, é pública e gratuita! Dias de luta! 
   

Calendário dos Professores para a Reposição.
[info]2009uspgreve
Segue abaixo o calendário de reposição e as recuperações de alguns professores. Estas são informações que a Comissão de Comunicação conseguiu diretamente com os docentes por e-mail. Elas estão selecionadas por ordem alfabética de curso e professor. Conforme formos recebendo informações mais atualizadas, colocaremos aqui no blog. Uma observação importante é de que a Comissão de Comunicação é aberta a todos que tenham interesse em participar.


História Antiga I

- Francisco Murari Pires
Os informes sobre o curso estão sendo dados pelo site do programa em que ficaram definidas as datas de entrega dos trabalhos mais a Recuperação. Como, no caso do professor, as aulas finais do curso previstas no programa foram editadas no mesmo site em razão de sua viagem, não há aulas a repor. Estará no Departamento nas segundas-feiras durante o mês de julho para atendimento dos alunos.

- Marcelo Rede
AVISO
As aulas de reposição consistirão de exercícios de análise, conduzidos pelo professor, dos documentos que compunham os seminários não realizados. É portanto indispensável que os alunos estejam munidos da Apostila de Seminário do curso.
CALENDÁRIO
Vespertino: 27/7 e 3/8
Noturno: 28/7 e 4/8
RECUPERAÇÃO
A atividade de recuperação consiste de uma análise documental a ser entregue, por escrito, até o dia 22 de julho de 2009, impreterivelmente.
A base documental é composta pelas fontes de um dos seminários do curso, a ser escolhido pelo aluno, com exceção daquele realizado durante o semestre. Todos os documentos do seminário devem ser levados em consideração na análise. A análise deve articular os documentos com as aulas expositivas e as leituras realizadas no decorrer do semestre. 

- Marlene Suano
Reposição dias 6 e 7 de julho.

História Contemporânea I

- Francisco Alambert
Terá duas aulas de reposição: dia 23 e 30/07 (noturno)/24/7 e 01/08 (vespertino). Os textos destas aulas serão aqueles correspondentes às unidades 2 (textos de Marx - do 18 Brumário apenas a primeira parte) e 3.
O último dia para a entrega do relatório, que será o único trabalho do curso, será o dia 23 ou 24 de julho. 

- Lincoln
CALENDÁRIO DE RECUPERAÇÃO
27 de julho - As provas estarão no xerox (para fazer em casa).
7 de agosto - Data Máxima para a entrega das provas na secretaria até às 20h (pedir para deixar no escaninho do professor).

História da América Colonial

- Eduardo Natalino dos Santos
ADAPTAÇÕES NO PROGRAMA
·        A última aula do Módulo IV (aula 13) e a aula de encerramento (aula 15) não serão ministradas;
·        A 2ª. prova não será realizada e a nota da 1ª. (que em princípio valia de 0 a 5 pontos) será duplicada, ou seja, valerá de 0 a 10 pontos;
·        Caso algum aluno ainda não tenha entregado o trabalho, deverá fazê-lo até o dia 8 de julho (deixando-o em minha sala, caso eu lá esteja, ou na Secretaria do Depto. de História);
·        A composição da nota final será, portanto, calculada pela média simples entre a nota da prova já realizada (0 a 10 pontos) e a nota do trabalho (0 a 10 pontos);
·        Os alunos que não atingirem a nota mínima farão a Recuperação (segundo os critérios previstos no programa da disciplina).
CRONOGRAMA DA REPOSIÇÃO E DA RECUPERAÇÃO
·        20 e 21 de julho – Aula 11 (nestes dias, os trabalhos corrigidos e comentados serão devolvidos e as notas e frequências finais serão divulgadas);
·        27 e 28 de julho – Aula 12;
·        3 e 4 de agosto – Recuperação: realização de nova prova sobre os módulos I, II e III (aulas anteriores à greve) ou entrega de trabalho refeito, dependendo da avaliação em que o aluno tenha tido o desempenho menos satisfatório (vide Critérios de Recuperação no programa).
.      7 de agosto – Divulgação das notas de Recuperação

- Horacio Gutiérrez
CALENDÁRIO
Dias 20/21 de julho (vespertino/noturno) : Aula (Estados Unidos)
Dias 27/28 de julho (vespertino/noturno): Aula (reformas borbônicas e rebeliões)
Dias 3/4 de agosto (vespertino/noturno): Prova Final

História da América Independente

- Júlio
AULAS
As últimas aulas ficam, então, agendadas para: 20.07, segunda, vespertino: aulas sobre Rodó e Octavio Paz; 21.07, terça, noturno: aula sobre Octavio Paz.
RECUPERAÇÃO
Aqueles que desejarem fazer a recuperação, devem entregar até o dia 28 de julho: análise do texto extraído de Facundo e lido durante o curso; resenha de Ariel, de José Enríque Rodó.

- Maria Lígia
Problemas individuais serão resolvidos pessoalmente no reinício das aulas.
Calendário de reposição:
20/21-07 – Dois seminários:
1)    Cultura Popular
2)    História, paisagem e nação
27/28-07 – Seminário: Construções identitárias
27/28-07 – Entrega de relatórios (referentes à terceira unidade)
03/04-08 – Seminário: Pensando as identidades latino-americanas
                                   Apresentação de pinturas
03/04-08 - Entrega de relatórios (referentes à quarta unidade)
03/04-08 – Entrega do trabalho optativo
03/04-08 – Proposta do tema da prova final a ser realizada em casa.
                  Entrega no dia seguinte. 
07-08 – 17h30 - Recuperação (diurno e noturno) – Prova a ser feita em classe.

História da Cultura I

- Carlos Nogueira
AULAS
Fará a reposição das aulas nos dias 30 de julho e 06 de agosto.
TRABALHO
Aos alunos que estavam em greve, podem fazer o trabalho e enviar ao professor. 
 

 

História das Instituições

- Márcia Berbel
Encontrará os alunos no dia 22 de julho, às 14h, para decidir a data da prova.

História do Brasil Colonial I

- João Paulo
AULAS
06/08, quinta-feira, 19:30: aula n.9, "O debate em torno do Antigo Sistema Colonial" (só para o noturno)
13/08, quinta-feira, 19:30: aula n.10, "A formação do território" (só para o noturno)
15/08, sábado, 10:00 hs., aula n.11, "Administração colonial" (noturno e vespertino juntos)
22/08, sábado, 10:00 hs., aula n.12, "Fundamentos da sociedade colonial" (noturno e vespetino juntos)
OBSERVAÇÃO
Aos alunos, esta reposição é facultativa. Ela não está sujeita a controle de presença ou mudança das notas já atribuídas.

- Pedro Puntoni
Retomada das aulas dias 20 (noite) e 21 (tarde) de julho, dias em que explicará as mudanças quanto à sistemática da avaliação.
CALENDÁRIO
20/7 e 21/7: O escravismo moderno: a conquista da África e o tráfico de escravos.
27/7 e 28/7: Senhores e lavradores.
03/8 e 4/8: A sociedade escravista: formas de resitência e legitimação; entrega da prova escrita [peso 8 (turma da noite) peso 5 (turma da tarde)].

- Rodrigo Ricupero

 
Seguirá o calendário de reposição proposto:
Dia 20 e 21/7 Textos 10 A, B e C (entrega dos fichamentos)
Dia 27 e 28/7 Textos 11 A, B e C (entrega dos fichamentos)
Dia 03 e 04/8 Textos 12 A e B (entrega dos fichamentos)
PROVA FINAL
Ainda não decidiu se mantem a prova final para toda a turma ou apenas para os alunos que não foram bem na primeira avaliação. Com certeza, ainda dará mais um pequeno trabalho para complementar a nota de exercícios.
OBSERVAÇÃO
Dada a situação de greve os alunos que não entregaram a primeira avaliação e o exercício do texto do Nassau devem procurar o professor.

História do Brasil Independente I

- Esmeralda Blanco B. de Moura.
Iniciará a reposição em 20 de julho e a terminará em 03 de agosto com a possibilidade, se necessário, de usar um dia a mais em uma das semanas. Se precisar usar mais um dia em uma das semanas usarei ou a quarta ou a quinta-feira, após consultar os alunos.

- Maria Helena P. T. Machado
AULAS
20 e 21 de julho, 27 e 28 de julho e 3 e 4 de agosto.
O curso prosseguirá de onde foi interrompido (aula 10). Cobrirá mais de um item do programa por aula, portanto os alunos devem comparecer com o máximo de leituras feitas para acompanhar as discussões.
As aulas têm como objetivo a reposição do conteúdo da matéria. Alunos que, por motivo de força maior, estiverem ausentes no período não serão penalizados com faltas.
TRABALHO
Data máxima de entrega: 20 de julho.
Pede aos alunos que puderem entregar antes da data limite o façam. Caso não encontrem a professora ou a monitora, favor colocar o trabalho por debaixo da porta da sala da professora Maria Helena, a O1, e mandar e-mail registrando a entrega para mairachinelatto@gmail.com, com nome e número USP.
A nota do curso será aquela do trabalho.
PROVA E RECUPERAÇÃO
Não haverá prova como meio normal de avaliação.
A recuperação do curso será realizada nos dias 3 e 4 de agosto, através de prova de toda a matéria com consulta. 

- Mônica Dantas
CALENDÁRIO
28/07 (terça-feira) - Tema 9
01/08 (sábado) - Tema 10
04/08 (terça-feira) - Temas 11 e 12
PROVA
Estarão dispensados da segunda prova todos os que tiverem obtido 5 (cinco) ou mais. Para aqueles que não tiverem alcançado nota 5,0, dará uma outra prova para ser feita em casa.


História do Cotidiano

- Marina
Não têm aulas a repor, estará recebendo os trabalhos até dia 20/07 e dará a recuperação dia 05/08 no horário de aula, em sala. Os trabalhos podem ser deixados na secretaria caso não a encontrem.

História Econômica

- Vera Ferlini

AULAS
Reiniciarão dia 20/08. Nesse dia, redefinirão o cronograma das aulas durante a reposição e discutirão os seguintes textos: SOUBOUL, Albert. “Descrição e medida em história social”. In: GODINHO,Vitorino Magalhães. História social: problemas, fontes e métodos. Trad Port. Lisboa: Cosmos, 1993, pp. 25-44. / LABROUSSE, Ernest. “La crisis de la economia fracesa al final Del Antiguo Regimen y al principio de la Revolucion”. In: Flutuaciones econômicas e historia social. Trad. Esp. Madri: Editorial Tecnos, 1973. Pp. 337-372. / VILAR, Pierre. Iniciación al vocabulário Del análisis histórico. 3ª Ed. Trad. Esp. Barcelona: Editora critica, 1981, pp. 51-105.
TRABALHOS
Os trabalhos deverão ser entregues até o dia 03/08/2008. Os alunos que já entregaram, se quiserem, poderão refazê-los, até essa data.

História e Fontes Visuais

- Marcos Silva
Reposição será feita dentro do calendário informado pela faculdade: de 20 de julho a 7 de agosto. A reposição será rigorosamente integral.

História Ibérica


- Ana Paula
Megiani
Vespertino (2 aulas) - 22 e 29 de julho
Noturno (3 aulas) - 24 e 31 de julho e 7 de agosto

 - Íris
Vespertino: 29 de julho. Encerramento do curso e reposição de aula.
Noturno: 30 de julho: Reposição; 31 de julho: Reposição e Encerramento do curso.

- Vera Ferlini
AULAS
Reiniciarão dias 22 e 24/08. Nesses dias, redefinirão o cronograma das aulas durante a reposição e realizarão a aula sobre Iquisição, na qual o curso havia sido interrompido.
TRABALHOS
Os trabalhos deverão ser entregues até o dia 03/08/2008. Os alunos que já entregaram, se quiserem, poderão refazê-los, até essa data.

História Medieval

- Ana Paula T. Magalhães
Aulas estão encerradas. Haverá uma prova de recuperação no dia 23/07, às 19h30, na sala Caio Prado Jr.

História Moderna I

- Carlos Zeron
·        Retomará as aulas nos dias 15 e 16 de julho. Nas três semanas de julho, concluirá o programa previsto originalmente (três aulas sobre o Estado moderno e discussão dos textos de Jean Bodin, Francisco de Vitória e Juan de Mariana).
·        Devido ao fato de muitos alunos já terem assumido outros compromissos (Anpuh, Eneh, viagens, trabalhos), e devido ainda ao prazo para a entrega de notas finais determinado pela Pró-reitoria de Graduação (incluindo as de recuperação, cf. artigo 1º. da Resolução), não fará a prova final. A avaliação será feita com base apenas na resenha.
·        Considerará as resenhas de Bodin, Vitoria e Mariana entregues nesta primeira semana de julho, mas aceitará a sua substituição, até as datas de discussão dos respectivos textos (Bodin: 15 e 16/7; Vitoria: 22 e 23/7; Mariana: 29 e 30/7), daqueles alunos que assim o desejarem. (Importante: conforme está abrindo esta possibilidade, esclarece desde já que não corrigirá as resenhas que foram entregues até as respectivas datas de discussão dos textos, de maneira que não responderá a perguntas sobre a opinião quanto à necessidade ou não de fazer tal substituição).
·        A primeira semana de agosto será dedicada exclusivamente às provas orais de recuperação, a serem realizadas no horário normalmente reservado às aulas (dias 5 e 6/8, respectivamente 4ª feira noturno e 5ª feira vespertino).
·        A divulgação da primeira nota fica prevista para o dia 3/8. As notas finais, incluindo as de recuperação, no dia 7/8.

História Visual e Ensino

 - Maurício Cardoso
Vai fazer o calendário esta semana e encaminhar para o maling. Por enquanto, dará as aulas de reposição definidas pelo calendário, a partir do dia 20 de julho.

 Metodologia da História I

- Marcos Silva
Fará a reposição dentro do calendário que foi informado pela Faculdade: de 20/7 a 7/8.
Combinará com os alunos uma estratégia para compensar uma aula que faltaria em termos lineares (talvez usar um sábado).

Teoria da História I

-Elias
AULAS
Será feita a reposição da aula final, nos dias 5/8(quarta-feira) e 7/9(sexta-feira) nos horários normais do vespertino e noturno. Oportunamente, enviará o esquema prévio desta ultima aula.
AVALIAÇÃO
Os prazos para entrega da avaliação ficam mantidos. Contudo, quem tiver dificuldades para entregar até dia 8/7, pode depositar na sala do professor, até 17/7.




 

 

 



Calendário da Semana!
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TERÇA, 07/07


18h -  HISTÓRIA E GEOGRAFIA  (união sinistra!)

     COMANDO UNIFICADO DE MOBILIZAÇÃO


19H30 - REUNIÃO DO COMITÊ DE COMUNICAÇÃO DA HISTÓRIA


20h00 - Grupo de estudos: ensino na história


O BONDE DA HISTÓRIA
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por Luís Branco

 
A greve do primeiro semestre de 2009 na USP ficará marcada pela latência da crise das instituições de poder e representatividade da Universidade. Seu fim, sem a conquista das pautas mais evidenciadas, embora nos dêem um gosto amargo, parece dessa vez não significar um momento alto de desgaste, procedido de um período de “ressaca”. Pelo contrário, a simultânea saída das 3 categorias (a assembléia geral dos estudantes,  ainda não deliberou o seu fim, mas a tendência é a saída da greve, seguindo o posicionamento das assembléias de curso, que definiram por sua suspensão - casos da História, Geografia e Filosofia), articuladas no sentido de não só questionar, mas concretamente alterar a estrutura de poder na USP, significa que, para além das pautas específicas de cada categoria e a despeito de seus posicionamentos e ações políticas diferentes, (essa discussão fica para um outro texto) como está a USP não fica: chegamos ao limite.  A tensão será a tônica do próximo semestre. É bom lembrar que haverá eleição para reitor. A mobilização estudantil no curso de História certamente continuará forte nesse segundo semestre; ainda que com algumas limitações, uma profunda reflexão sobre o momento o qual estamos passando e a real possibilidade de intervenção efetiva nele, foram construídas nesse mês de junho. A idéia aqui é dividir com todos o que foi, então, esse processo na História, sua mobilização e suas perspectivas.
 

A negação do diálogo e a (in)conseqüente opção da reitoria pela entrada do aparato militar para repressão propiciou uma rápida resposta de parte da comunidade universitária, indignada com a presença da PM no campus para “mediar” as relações entre as categorias.  Os estudantes do curso de História deliberaram por greve no mesmo dia, como reação imediata à essa atitude.
 
Durante os dois dias seguintes, a mobilização no curso se deu por passagem nas salas no sentido de paralisá-las, conversando com os colegas e docentes sobre os motivos da greve. A partir do terceiro, barricadas, para impedir os fura-greves e forçar o diálogo e o posicionamento de professores e estudante, que se colocavam como indiferentes à grave situação presente da USP, completamente fora de sua normalidade.
 
A conseqüência das barricadas foi o tensionamento no departamento. A direita dos alunos se organizou para desmontar as cadeiras que bloqueavam os corredores na surdina, para jogá-las nos grevistas, chamar a polícia para garantir o tão propalado “direito de ir e vir” e o “direito de ter aula“. A chefia do departamento, compreendendo o grave momento que se colocava, convocou uma plenária departamental para discutir o momento. Com boa presença de discentes e docentes, a plenária girou em torno do fato de estudantes e professores desrespeitarem os fóruns das categorias e as suas decisões.  A maioria dos presentes se colocou como preocupada em relação a isso: é evidente que os fóruns de deliberação possuem problemas, porém eles são os espaços coletivos , públicos de discussão. Se existem problemas, cabe a todos tentar melhora-los, quem sabe até transformá-los, para que eles recuperem sua legitimidade. Decisões e posicionamentos individualistas foram amplamente lamentados, rejeitados.
 
 A constatação de que o nível de hostilidades era crescente entre os estudantes e que alguns professores não iriam respeitar a decisão do movimento estudantil da história de paralisar as aulas por completo, passou pela questão de que esse tensionamento se dava muito pela inexistência de um canal de diálogo, de um debate, franco entre os indivíduos que compõe o departamento.
 
A partir disso, estudantes e professores buscaram criar esse espaço de diálogo. O resultado foram os chamados bate-papo semanais, às quartas-feiras, em que professores e estudantes expõe da maneira mais livre possível, suas visões sobre a greve, os problemas do departamento, análises e propostas sobre a USP. Foram até agora quatro quartas-feiras muito interessantes. Se a primeira começou com uma série de desabafos pessoais sobre o que significava a universidade, a greve, o curso de história para cada um (o que demonstra realmente a então falta de espaço para se debater publicamente uma série de questões), a última terminou com idéias sobre qual é o papel da Faculdade Filosofia na Universidade, na sociedade; sobre a estrutura de poder no departamento e na USP, o que significa uma greve; que tipo de estudante entra na História, que tipo de historiador, de cidadão estamos formando, que tipo de professor entra no departamento; o caráter político das aulas ministradas, o papel do professor, a estrutura curricular do curso, o caráter das pesquisas, o peso do CNPQ e da FAPESP, as condições de pesquisa oferecidas na graduação e na pós,  a falta de relação entre elas...Enfim, uma série de reflexões há tanto tempo acumuladas individualmente ou guardada por poucos grupos e que agora se abrem para o esforço de pensar coletivo, um esforço de se elaborar projetos coletivos de transformação. Garantido esse espaço e que o respeito às decisões tomadas coletivamente seriam respeitadas, as barricadas deixaram de cumprir o seu papel, fundamental, aliás, para que ocorresse efetivamente uma mobilização ativa e complexa no curso.
 
As plenárias dos estudantes de História durante o período em que a greve esteve vigente, sempre giraram em torno de 100 alunos – um número muito significativo. Diferentemente das assembléias gerais, com seus vícios, conchavos, manobras e marcações de posições intransigentes de certos grupos partidários, as plenárias da história, embora cansativas como toda plenária, correram num clima de respeito as posições, discussões intensas e complexas sobre as pautas da greve- superando, inclusive, essas. A penúltima, nem mesa tinha – e funcionou muito bem! Isso se deve muito ao grande e intenso envolvimento dos estudantes autônomos, militantes independentes – sua atuação permite que as diferenças possam coexistir e serem discutidas, proporcionando uma radicalização do debate e das tomadas de posição. Assim, os partidos políticos são impossibilitados de se tornarem “a vanguarda do movimento” (argh!) : não conseguem pautá-lo e delimitá-lo politicamente. Não engessam o processo de reflexão e radicalização, o que esvazia o próprio movimento.  Foram obrigados a de fato dialogarem e a construir verdadeiramente com os seus colegas.
 
Durante, então, o processo de mobilização, nos bate-papos de quarta, nas plenárias estudantis e nos comandos de greve, uma das coisas mais colocadas foi a necessidade de se aprofundar nos temas que geraram maior discussão no departamento. Surgiu a idéia, por exemplo, de se ocupar as salas de aula, no período de greve e também quando esta acabar – com grupos de estudos e trabalho. quatro já foram formados, sendo que dois já estão funcionando.  São eles: 
          Ensino de História;
          Universidade: projetos
          História Recente do Movimento Estudantil;
          Estado, Violência e autoridade
 
Assim, o que se busca é pensar, estimular um outro projeto não só para o departamento de História, mas para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, resgatando o seu espírito crítico na Universidade e também na sociedade, pois é evidente que esse está se desmilinguindo, sendo massacrado por pelo produtivismo acadêmico e pela noção, tosca, de que a Universidade é uma mera prestadora de serviços, formadora de profissionais. É preciso sim, reafirmar a história da FFLCH e as suas lutas. É preciso sim fazer a história do departamento de História, ainda inexistente, para que a gente não ouça mais absurdos como os ouvidos no último mês, de que “Greve não serve pra nada”, “sou contra a greve política (????)”, “o meu direito de assistir (ou dar) aula tem que ser respeitado”, “quero me formar e ponto” ou atitudes de franca ridicularização por parte de alguns professores estudantes frente aqueles que buscavam dialogar com seus colegas. Isso sem contar  manifestações de cunho classista contra os funcionários e o seu direito de greve.  Essas frases e atitudes foram, sobretudo, realizadas por gente está cursando o seu primeiro ano, segundo ano. Pois é evidente que a greve desse semestre é um divisor de águas no que diz respeito a mobilização em vários sentidos. Aponto aquele que nos interessa, nesse texto: o conservadorismo, a tecnocracia e a ação reacionária se encontram de maneira  bem mais organizada na Faculdade de Filosofia – e não se restringe aos professores e a um pequeno grupo de estudantes. 
 
A disputa está dada e não basta apenas nos defendermos contra o processo de desmantelamento, de esvaziamento das chamadas ciências humanas. Reafirmo: É preciso atacar - o que significa irmos além do urgente resgate político e acadêmico da FFLCH, mas de elaboramos um novo projeto, um novo sentido para a sua existência, que a coloque em relação com as questões, as problemáticas da nossa sociedade, com os movimentos que visem a sua transformação.
 
 
 
O que houve no curso de História foi um salto de qualidade no que tange a organização do movimento e no embasamento das discussões. A saída da greve se tornou inevitável,  e a sua escolha, dentro de um contexto maior, preserva os ganhos que essa mobilização teve. Não, não falo em vitória e derrotas – a idéia aqui não é vender os resultados da greve. É constatar que, ainda que as pautas que encabeçam o movimento geral não tenham sido alcançadas - fora PM, Fora Reitora, Fora Univesp (o que aponta para os limites do movimento, que devem ser discutidos criticamente) - na História houve um real aprofundamento do que significa a Univesp, o que é o ensino à distância;  a entrada e permanência da PM, o papel, aliás, da PM na sociedade ( Defendemos o FORA PM DO MUNDO!), o que significa o exercício de poder na USP, que aliás tem muito a ver com a periodicidade em que ocorrem as greves .
 
Em agosto, a volta as aulas, com garantia de reposição efetiva se apresenta com muita perspectiva empenho, para estudantes e professores de se continuar fortemente a mobilização a partir, então, de uma patamar de debate mais qualificado e com muitas ações já em mentes, visando a articulação de todo o departamento - funcionários inclusive, uma vez que, sem dúvida, não conseguimos aproxima-los da discussões, um problema grave. Logicamente que Julho não passará batido. Os grupos de estudo e trabalho continuarão na ativa, bem como reuniões visando a organização do semestre no que tange as lutas.
 
Ficou claro que posicionamentos individualistas não serão mais tolerados no departamento e sim atacados.. Cabe aos estudantes continuarmos puxando e tensionando. O fim da greve não deve ser encarado como a volta à normalidade. E Isso é um grande desafio: é difícil nos mobilizarmos realmente, concretamente, com as aulas de volta (até quando estamos em greve as dificuldades são grandes!).  Por isso, mais do que alterar a estrutura de poder, necessária mesmo num departamento conhecido como um dos mais democráticos da USP, a questão é exercer de fato o poder (tomá-lo ou destruí-lo...) exercer de fato a democracia. É agir no sentido de que não serão mais as aulas ordinárias, as atividades acadêmicas que ditarão o ritmo do departamento.
 
A mobilização na História tem um peso muito grande no movimento atual. Não é a toa que as bombas da polícia estouraram no prédio que abriga a gente e outro curso bem mobilizado, o da Geografia.    Nossas posições e ações influenciam os outros cursos da FFLCH. O momento é também de tomarmos consciência disso e articularmos com os nossos vizinhos, aprofundando os debates e a radicalidade a  partir do acúmulo já construído. Pra faculdade de Filosofia tomar uma posição clara na disputa pela universidade e na sociedade.
 

Bonde da História é como alguns alunos do curso, muito ativos na mobilização e notadamente conhecidos por sua criatividade na composição de músicas e ações para as manifestações, se denominam

OS PLANOS DO SERRA!
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http://www.youtube.com/watch?v=oMaM7ipWpwM

Calendário da Geografia 29/06 - 03/07
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Terça:

18h- Assembléia geral de estudantes (na reitoria: a confirmar)

Quarta:

16h- comando de greve unificado - História e Geograifia (união que arrepia!)

18h- Assembléia da geografia (no aquário)

Quinta:

14h- GD UNIVESP

17h- possível reunião do comando (a confirmar)

18h- Plenária departamental (reposição de aulas e calendário do próximo semestre)

Sexta:

15h- GD democracia (Tema: funcionamento dos departamentos)


Calendário de atividades da História
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SEGUNDA FEIRA, 29/06

18h00 - Plenária da História
Pautas: Greve 
               Estrutura de poder no departamento de História


 

TERÇA FEIRA, 30/06

17h - Comando de Greve da História

19h30 - Grupo de estudo sobre Ensino de História


QUARTA FEIRA, 01/07


16h - Comando de greve unificado -história e geografia (união que arrepia!)

17h - Bate papo com os professores da História

19h30 - Grupo de estudo sobre Universidade


QUINTA FEIRA, 02/07


18h -   Plenária da História

19h30
- Grupo de estudo sobre História Recente do Movimento Estudantil




SEXTA FEIRA, 03/07


19h30 - Grupo de estudos sobre Estado, Violência e autoridade
 
 


A Pós na luta!
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CARTA ABERTA À POPULAÇÃO


Os alunos dos Programas de Pós-Graduação em História Social e História Econômica da Universidade de São Paulo, em assembléia realizada no dia 23/06, na sala Caio Prado Jr., votaram pelo apoio à declaração de greve deliberada pela Assembléia Geral de pós-graduandos da USP – Capital, realizada no último dia 17/06.

Essa decisão está alicerçada na firme convicção de que os diversos atos de violência ocorridos na USP, sob ordem e tutela da Reitoria e do Governo do Estado, constituem verdadeiros atentados contra todos os princípios que regem a universidade. O conjunto das ações da Reitora Suely Vilela – na verdade um programa de truculência intelectual e política – pretende, por meio de táticas brutais de silenciamento, condenar de antemão toda ação organizada em defesa da melhoria do ensino público superior. Entendemos que, diante desse quadro, a decisão tomada pela Assembléia Geral de pós-graduandos, e que agora ratificamos, pode contribuir nas lutas de toda a comunidade acadêmica para evitar que espaços como a FFLCH, destinados à livre circulação de idéias, sejam transformados em palcos da ignorância.

Desde 2007 a Reitora Suely Vilela dá sinais de seu despreparo para o cargo, quando, por exemplo, se recusou a participar de audiências públicas para debater o posicionamento da USP em relação aos decretos promulgados pelo Governador José Serra contra a autonomia universitária, fazendo, assim, com que os estudantes ocupassem o prédio da reitoria como forma de protesto. No ano seguinte, a Reitora tratou de desrespeitar uma das grandes conquistas daquela greve, o V Congresso da USP, cujo objetivo era debater e formular uma proposta alternativa à reforma do estatuto em curso no Conselho Universitário. Em primeiro lugar, a Reitora inviabilizou a presença dos funcionários da USP no V Congresso, quando decidiu não suspender todas as atividades da universidade, e, em segundo, como resposta às notícias de protestos agendados para aquela semana, demonstrou sua vocação para o autoritarismo, hoje tão clara: convocou um Conselho Universitário extraordinário em área com segurança militar (IPEN), ocasião esta em que foi aprovado o parecer da Comissão de Legislação e Recursos da USP – presidida pelo Prof. João Grandino Rodas –, que autoriza, desde então, a entrada da Polícia Militar no campus, toda vez que, supostamente, a “ordem universitária” for ameaçada. Ainda em 2008, a Reitoria transferiu outra reunião do Conselho Universitário para o IPEN, mas, dessa vez, sem justificativas e sem aviso prévio aos Representantes Discentes e ao Representante dos funcionários. Aproveitando-se da ausência desses representantes, a Reitora inverteu a ordem da pauta e aprovou o orçamento anual da Universidade, sem qualquer discussão aprofundada com a comunidade acadêmica.

Entendemos que estes contínuos atos de desrespeito da Reitora Suely Vilela diante das representações estudantis e de funcionários constituem apenas um reflexo da estrutura de poder da própria USP, isto é, uma estrutura autoritária e, por isso, absolutamente incoerente com o próprio regime democrático reconquistado em nosso país nos anos 1980 – graças à ação organizada da sociedade civil, entre outros espaços, a partir da FFLCH. Essa história de conquistas democráticas torna as decisões da reitoria ainda mais ofensivas, na medida em que se pretende justificá-las mediante um discurso que distorce o próprio conceito de democracia, transformando-o em um princípio predatório (ao invés de laudatório) da res publica.

Lutar por democracia implica comprometimento com o processo democrático e participação efetiva em todas as suas etapas. No que tange aos estudantes, essa luta deve conduzir à reafirmação constante da soberania dos nossos espaços deliberativos, bem como à reação às ações de cunho individualista que, em caso de sucesso, condenariam ao esfacelamento a própria representação discente nas diversas instâncias administrativas da nossa universidade. As assembléias estudantis, a exemplo da que deflagrou a greve entre os estudantes de pós-graduação, são espaços onde a divergência entre opiniões é não apenas respeitada, mas amplamente desejada. É somente graças aos constantes debates de idéias e o respeito às decisões tomadas a partir daí, sejam elas quais forem, que o movimento estudantil na USP pode rejeitar enfaticamente, e de consciência tranqüila, as críticas que sugerem um adesismo às reivindicações das greves simplesmente em função de sua base social. Nenhuma das entidades representativas assumiu postura a priori sobre a greve. Nos fóruns de deliberação, a greve é um instrumento político avaliado em relação às lutas travadas. Por diversas ocasiões, a greve foi rejeitada e, durante os vários anos de história dessas entidades, em nenhum momento uma decisão contrária à greve foi desrespeitada.

É preciso destacar, no entanto, que alguns setores da mídia, e mesmo da comunidade universitária, vêm se utilizando de dados quantitativos sobre o atual movimento grevista obtidos de modo, no mínimo, questionável e não sujeito aos controles dos fóruns coletivos. Os alunos dos programas de pós-graduação em História Social e História Econômica compreendem que o caráter público das entidades representativas da USP não depende do número de presentes nos seus fóruns de representação. A legitimidade de uma instituição pública nasce do respeito ao debate, do acesso livre às instâncias de decisão e ao respeito mútuo entre os participantes. Por isso, defenderemos o DCE, a APG, a ADUSP e o Sintusp como instâncias de discussão e organização imprescindíveis para tornar de fato públicas e democráticas as decisões do Conselho Universitário da USP.

O extremo individualismo em que vivemos dissimula a relação entre o público e o privado. Para nós, o indivíduo que não vai à Assembléia Geral de sua entidade representativa está depreciando a sua chance de agir como um cidadão, de dialogar com a diversidade de opiniões daqueles que têm atividades comuns. Frente à responsabilidade dos cidadãos de se pronunciarem no espaço público, qualquer discussão sobre o direito privado é secundária.

Assim, os alunos dos programas de pós-graduação em História Social e História Econômica, coerentes com o espírito crítico que rege a nossa Faculdade, repudiam a presença da Polícia Militar na Universidade e a política predatória da Reitora Suely Vilela e reivindicam a democratização da USP, transparência nas reuniões do Conselho Universitário e a revogação imediata da resolução que permite a entrada da PM no campus. Ao mesmo tempo, afirmamos a necessidade de discussão específica para assuntos da pós-graduação, com participação direta e efetiva dos nossos representantes na tomada de decisões sobre temas como orçamento, políticas de permanência e oferta de disciplinas. Para isso, é necessário que as nossas posições sejam constantemente reforçadas pela consolidação dos espaços de deliberação, em defesa de uma universidade verdadeiramente pública, democrática e de qualidade.

 


Fala, Saramago!
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Textos retirados do blog de José Saramago http://caderno.josesaramago.org/2009/06/25/formacao-1/ 



Formação (1)   -    25/06/09

Não ignoro que a principal incumbência assinada ao ensino em geral, e em especial ao universitário, é a formação. A universidade prepara o aluno para a vida, transmite-lhe os saberes adequados ao exercício cabal de uma profissão escolhida no conjunto de necessidades manifestada pela sociedade, escolha essa que se alguma vez foi guiada pelos imperativos da vocação, é com mais frequência resultante dos progressos científicos e tecnológicos, e também de interessadas demandas empresariais. Em qualquer caso, a universidade terá sempre motivos para pensar que cumpriu o seu papel ao entregar à sociedade jovens preparados para receberem e integrarem no seu acervo de conhecimentos as lições que ainda lhe faltam, isto é, as da experiência, madre de todas as coisas humanas. Ora, se a universidade, como era seu dever, formou, e se a chamada formação contínua fará o resto, a pergunta é inevitável: “Onde está o problema?” O problema está em que me limitei a falar da formação necessária ao desempenho de uma profissão, deixando de lado outra formação, a do indivíduo, da pessoa, do cidadão, essa trindade terrestre, três em um corpo só. É tempo de tocar o delicado assunto. Qualquer acção formativa pressupõe, naturalmente, um objecto e um objectivo. O objecto é a pessoa a quem se pretende formar, o objectivo está na natureza e na finalidade da formação. Uma formação literária, por exemplo, não apresentará mais dúvidas que as que resultarem dos métodos de ensino e da maior ou menor capacidade de recepção do educando. A questão, porém, mudará radicalmente de figura sempre que se trate de formar pessoas, sempre que se pretenda incutir no que designei por “objecto”, não apenas as matérias disciplinares que constituem o curso, mas um complexo de valores éticos e relacionais teóricos e práticos indispensáveis à actividade profissional. No entanto, formar pessoas não é, por si só, um aval tranquilizador. Uma educação que propugnasse ideias de superioridade racial ou biológica estaria a perverter a própria noção de valor, pondo o negativo no lugar do positivo, substituindo os ideais solidários do respeito humano pela intolerância e pela xenofobia. Não faltam exemplos na história antiga e recente da humanidade. Continuaremos.

Formação (2)     26/06/09
 

Aonde pretendo chegar com este arrazoado? À universidade. E também à democracia. À universidade porque ela deverá ser tanto uma instituição dispensadora de conhecimentos como o lugar por excelência de formação do cidadão, da pessoa educada nos valores da solidariedade humana e do respeito pela paz, educada para a liberdade e para a crítica, para o debate responsável das ideias. Argumentar-se-á que uma parte importante dessa tarefa pertence à família como célula básica da sociedade, porém, como sabemos, a instituição familiar atravessa uma crise de identidade que a tornou impotente perante as transformações de todo o tipo que caracterizam a nossa época. A família, salvo excepções, tende a adormecer a consciência, ao passo que a universidade, sendo lugar de pluralidades e encontros, reúne todas as condições para suscitar uma aprendizagem prática e efectiva dos mais amplos valores democráticos, principiando pelo que me parece fundamental: o questionamento da própria democracia. Há que procurar o modo de reinventá-la, de arrancá-la ao imobilismo da rotina e da descrença, bem ajudadas, uma e outra, pelos poderes económico e político a quem convém manter a decorativa fachada do edifício democrático, mas que nos têm impedido de verificar se por trás dela algo subsiste ainda. Em minha opinião, o que resta é, quase sempre, usado muito mais para armar de eficácia as mentiras que para defender as verdades. O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado tarde. E que a universidade nos ajude. Quererá ela? Poderá ela?

Sobre a legitimidade e representatividade das assembléias
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Thiago, mestrando em história social, no sétimo ano de universidade pública. 
 

            A representação de uma atividade social por assembleias sindicais nunca foi algo quantitativo. Os críticos das entidades representativas da USP – DCE, Sintusp e ADUSP – têm insistido no número de presentes nas assembleias para atacar a legitimidade desses espaços. Contudo, não houve, não há e não haverá nenhuma assembleia com 100% dos presentes. E caso ela ocorra um dia, não seria o número de nomes na lista de presença que forneceria legitimidade para decidir sobre algo.

            O que legitima uma entidade não é o número, mas a capacidade que a instituição possui de respeitar a diversidade de visões de um grupo comum. Se adotarmos esse critério, não há como atacar os sindicatos de estudantes, professores e funcionários da USP. Nas assembleias das três entidades, que são maiores e mais poderosas que as direções, já presenciei prós e contras à greve. Inclusive, em outras greves, nesses seis anos que estou na USP, já vi algumas vezes o contra a greve ou a saída da greve ganhar, contrariamente à vontade das direções. Em algumas situações, votei a favor. Em outras, contra a greve. Nessa perspectiva, cabe perguntar por que alguns membros da USP escolheram tão avidamente a identidade  imóvel e ingênua do “anti-greve”? Mais grave é que eles esqueceram que a greve é algo dinâmico, que se põe em um momento, e não algo positivo e estático que se adota ou não pelo resto dos dias.      

            O argumento dos “contra a greve” se aproveita do quantitativo e da aparente “transparência” dos números de presentes para julgar a legitimidade das instituições. Assim, se esquecem que essas instituições da USP não foram criadas do dia para noite e não podem ter sua função política julgada à revelia, utilizando-se percentuais colhidos pelos jornais como se fossem sentenças.

            Apesar de todos os erros e os abusos que os sindicatos possam cometer e cometem, essas instituições não podem ser jogadas na lata do lixo e serem niveladas com “flahs-mobs” e grupelhos criados virtualmente. Quem sabe, com o uso político do Orkut (que não é do uso de todos, apesar de público), já estejam antecipando o vácuo de diálogo e de experiência colmum da futura Univesp.

            Quando um aluno ou funcionário da USP deixa de ir numa assembleia da sua categoria, ele está retirando a legitimidade da instituição ou está deixando de dialogar no espaço público? O extremo individualismo que vivemos fetichizou até mesmo as fronteiras entre público/privado. Num mundo onde o público é levado não é uma galhofa, ninguém acredita que não ir a uma assembleia é depreciar a instituição. Ao contrário, quem não vai à assembleia está depreciando a sua chance de agir como um cidadão, de dialogar com a diversidade de opiniões daqueles que tem atividades comuns.

            Por que os que odeiam a greve não foram às assembleias e por que jamais irão? Porque eles preferem se colocar no mundo público pela sua ausência, e não por aquilo que poderiam dizer para convencer a todos. Preferem o Orkut, as conversas no corredor ou outro meio não comum porque não estão dispostos a fazer a experiência do confronto entre iguais. Eles querem o confronto, mas com o diferente, um embate que parte do desprezo e não do respeito à legitimidade das partes que divergem.

            Os que optaram por se ausentar dos fóruns comuns de discussão se esquecem que esses espaços não são “espaços de greve”. Quem não percebe isso, tem pouca vivência da USP. Talvez porque freqüenta pouco os espaços públicos da universidade e toca sempre virtualmente a luta histórica pelo ensino público. Porque é possível freqüentar a USP sem vivê-la, não é?

            Isso expõe uma diferenciação fundamental entre os sindicatos e essas novas entidades “contra a greve”. Enquanto os sindicatos apostam na construção de um espaço “pontencialmente” de todos  porque é aberto e comum (mesmo que a presença não seja de 100%), esses novos grupos apostam no ódio pré-fabricado e incondicional à greve, como se toda greve fosse igual e como se, no fundo, não importasse a motivação das greves. O que importa é a adesão individual a um ódio contra os espaços de diálogo.

            O que precisa ser esclarecido é que não importa quantas pessoas estejam nas assembleias dos sindicatos. O que realmente importa é que os sindicatos são , apesar de tudo, espaços de discussão, onde não há nada decidido antes do debate. Se os sindicatos estão sempre tentados a transpor o limite e se tornarem espaços de “consensos pré-fabricados”, isso é um problema que só pode ser resolvido no próprio espaço. Esses "novos" grupos são lamentáveis não por negar as instituições sindicais em si, mas principalmente porque  só oferecem a adesão incondicional a uma ideia absoluta (contra a greve) e não um espaço genuíno de diálogo. Por essas e outras, prefiro lutar por décadas para que os sindicatos me deixem falar o que eu quiser (e em seis anos de usp sempre pude fazer isso, às vezes com olhares tortos de colegas que queriam naqueles momentos a greve) do que entregar alguns segundos a essas críticas que já nascem prontas e mal fabricadas

 

Calendário de atividades fora da História/Geografia
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PROGRAMAÇÃO OCUPA USP!
 
 
Quinta-feira, 25/06
 
11h – Abertura: 
 - Escolha de temas para os grupos de trabalho
 - Divisão das comissões do alojamento
Local: Quadrado das artes
 
12h - Cena: Cheiro de Pequi
Um exercício solo performático sobre aspectos do ritual indígena do kwarup. 
Local: Quadrado das artes 
 
12h30 - Cena: O Quarto Escuro: Um estudo em cima da peça de um ato do Tennessee Williams.
A peça se passa no suburbio de uma cidade grande durante a grande depressão americana. Este "fragmento" de drama fala sobre a intervenção do estado na vida das pessoas em tempo de crise. 
Local: Sala 24 do CAC
 
13h - Cena: Mulher do Gordo (à confirmar)
Local indefinido
 
13h30 - Cena: O Caso das Petúnias Esmagadas.
Cena curta (apróx 20min) criada a partir de processo sobre texto do Tennessee Williams com alunos do CAC do terceiro e primeiro anos
Local: Sala 25 do CAC
 
14h30 às 16h30 - Ação: ‘Let The Sunshine In’.
Ensaio da coreografia do musical ‘Hair’ com todos os interessados (voluntários) e apresentação/intervenção no vão do prédio da História e Geografia
Local: História/Geografia
 
17h30 - Cena: O Quarto Rosa.
Peça de Tennessee Williams montada inicialmente para o curso de Direção II (do CAC), com pesquisa voltada para o corporal, o presencial e o performático. O texto conta o término da relação de 8 anos de um casal de amantes.
Local: Sala 24 do CAC 
 
18h - Dança: O Memorial do Quarto Escuro.
Quarto é o sítio da intimidade onde se encarnam memórias, angústias, desejos e esperanças. É também neste espaço que a tensão indivíduoXsociedade pode ganhar alívio, onde cada um está à mercê de sua consciência, e qualquer tentativa de aparência é inútil. Segredos, silêncios, mortes e nascimentos ocorrem no espaço-tempo de um pensamento-ação. Memorial do quarto escuro são fragmentos íntimos na busca de ser inteiro.
Local: Canil ou Sala do CAC (à confirmar)
 
19h - Cena: "Essas São as Escadas que Você Deve Vigiar".
Ensaio aberto de cena curta do Tennessee Williams, com atividade coletiva de ocupação artística no DCE
Local: DCE Ocupado 
 
 20h  - Ação: Carta aos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas.
Leitura adaptada do texto "Carta aos reitores das universidades europeias", de Antonin Artaud. 
Local: Em frente à reitoria, Rue da Universidade Livre
 
20h - Ação: Grafites no DCE
Local: DCE Ocupado
 
20h20 - Ação: A Dureza da Flor
Um conjunto de poemas que falam da ternura e amor necessários à luta, e da sobriedade indispensável para resistir às dores e percalços. 
Local: Em frente à reitoria, Rua da Universidade Livre
 
21h  - Ação: GizZaço: Desenhos, frases e palavras no chão
Ideia inicial: flowerchuker do Banksy (militante lançando não coquetel molotov mas um buque de flores) e dizeres de Che: Temos q endurecer mas jamais perder a ternura!
Local: Em frente à reitoria, Rua da Universidade Livre + Praça do Relógio
 
21h30 - Ação: Batizado e Inauguração da Rua Universidade Livre.
Trata-se da Rua que passa em frente à reitoria da USP; o evento se fará com um cortejo de Maracatu e outras bandas. 
Local: Em frente à reitoria, Rua da Universidade Livre
 
22h - Festa Junina
Local: DCE Ocupado
 
 
Sexta-feira, 26/06
 
10h - Debate: Grupos de Trabalho temáticos.
A partir dos temas escolhidos na quinta-feira grupos se formarão pra debatê-los; as discussões serão, depois, relatadas.
Local: Salas do CAC
 
13h - Cinema: Chris Marker e o Cinema Militante.
Exibição de filmes seguidos de exposição e debates. 
Local: Auditório Paulo Emílio ou CTR (à confirmar)
 
13h - Música: Maracatu
Local: Quadrado das Artes
 
14h - Música: Banda Sexto Grau
Local: Quadrado das Artes
 
15h - Música: Banda Morsa
Local: Quadrado das Artes
 
16h - Música: Fábula Acústica
Local: Quadrado das Artes
 
17h - Música: B NEGÃO (!)
Local: Quadrado das Artes
 
19h - Dança: Our love is like the flowers
Num espaço público, pessoas cruzam-se, carregando seus sonhos, seus afazeres, suas histórias. Dos encontros e desencontros num mundo de solidões proclamadas e relações virtualizadas. Espetáculo de dança contemporânea do Coletivo de artistas Abismo de Sonhos. 
Local: Rotatória em frente ao CEPEUSP
 
20h - Música: TOM ZÉ (!)
O show do Tom Zé é promovido pelo SINTUSP para arrecadação de fundo de greve. Por isso os ingressos custarão R$10,00
Local: Velódromo
 
 
Sábado, 27/06 
 
10h - Teatro: Jogos da Greve
Do grupo de Teatro do Oprimido Universitário Metaxis.
Local: Quadrado das Artes
 
11h30 - Debate: Quadrinhos e Questões Sociais
Apresentação e debate de alguns quadrinhos de autoria de Dedo Zuka. 
Local: Oásis das Artes
 
13h30 - Debate: Grupos de Trabalho temáticos (parte II)
Apresentação da relatoria de cada grupo de trabalho.
Local: Oásis das Artes
 
16h - Encerramento: Sarau de Luta
Organizado por estudantes de Ciências Sociais da PUC; participação e proposição livres.
Local: Praça do Relógio 
 
 
OUTRAS Atividades: 
 
 - Exposições: (Local: Aquário de vidro do DCE Ocupado) 
- Experimentações com nanquim em tamanho gigante; de Paloma Franca Amorim 
- Fotos da ocupação da PM e do ato no P1; de Zink 
- Desenhos de greve (à confirmar)
 - Leitura: Ininterrupta da íntegra de A Odisséia de Homero. (Local: por entre os eventos; no alojamento; salas do CAC; etc.).
 
informações em www.ocupausp.blogspot.com
e ocupausp2009@gmail.com
 


Carta à Suely Vilela
[info]2009uspgreve
Caros alunos,
 
Transcrevo abaixo o texto da carta enviada pelo Prof. Dr. Mário M. Gonzalez, ex chefe do Departamento de Letras Modernas, em resposta à manifestação da  Reitora Suely Vilela sobre a presença de tropas da PM no campus e sobre os acontecimentos de 09 de junho. Considero o texto um documento significativo do momento que estamos vivendo na Universidade e na FFLCH em especial.
 
 
 
Segue abaixo o texto da resposta à
"Carta à comunidade universitária", que acabo de enviar à sua assinante, a Reitora da USP, professora Suely Vilela.
Mario M. González
 

Prezada Reitora da Universidade de São Paulo:

Docente aposentado compulsoriamente da USP, sinto-me na obrigação de responder à sua carta. Fundamentalmente porque sou contrário a qualquer violência, particularmente, no caso, àquela que constitui a presença e conseguinte ação da Polícia Militar em nossa Universidade. Estive na Assembléia da Adusp que deliberou pela atual greve e votei a favor desta porque, mesmo que minoritária, considero que é a maneira que cabe de manifestar nossa indignação perante o fato de vermos a USP ocupada pela Polícia Militar como nos tempos da ditadura. Não há como dar aulas nessas circunstâncias.

Considero que se chegou nisso por uma enorme falta de capacidade para o diálogo por parte da Reitora ao longo do seu mandato. Digo isso pelo fato de ter ocupado a chefia do Departamento de Letras Modernas entre março de 2004 e junho de 2007, quando fui aposentado. Ficou claro, para mim, o pouquíssimo caso que, por parte da Reitoria, parecem merecer os Departamentos de Letras, sendo que tenho razões para imaginar que os sucessivos reitores da USP mal conhecem o sentido dos estudos e pesquisas neles desenvolvidos. Esse descaso levou durante anos a que, dentre muitos problemas como a falta de docentes em número adequado, houvesse e crescesse o drama da falta de espaço para gabinetes de docentes e salas de aulas. O prédio de Letras, projetado nos anos 80 (e construído graças à intervenção pública de uma aluna durante a posse do governador Montoro) foi inaugurado pelo reitor Lobo em 1990, mas estava inconcluso então e continua inconcluso até hoje. Quando eu assumi a chefia do DLM, no inicio de 2004, logo mais fiquei sabendo (e comprovei isso ao ver depois por diversas vezes o correspondente processo) que havia uma verba, no montante de um milhão de reais, para a ampliação das salas de aula de Letras, o que amenizaria um problema que chegava às raias do absurdo, com os alunos assistindo às aulas de fora das salas, pelas janelas, numa modalidade bem peculiar de “ensino à distância”. Três anos depois, sequer havia sido colocado um tijolo. Foi quando os alunos tentaram dialogar com a Reitoria da USP, ninguém apareceu para escutá-los e eles reagiram ocupando o prédio da Reitoria. Embora eu, como membro da Congregação da FFLCH, me manifestasse então contra essa ocupação, entendo que só assim foi que, um ano depois, tiveram início as obras de ampliação das salas de aula de Letras. A falta de diálogo gerou a ocupação da Reitoria. E o fato indicou que o único caminho eficaz parecia ser esse. O fato deixou também no ar o medo de uma nova ocupação do prédio da Reitoria, o que na presente greve levou a Reitora a solicitar a “reintegração de posse” que, como a Reitora sabia, significaria a entrada da polícia no campus.

Como já manifestei, sou contrário à violência. Não sou partidário de piquetes com impedimento físico do acesso, embora deva entender que funcionários da Reitoria da USP queiram os piquetes para poder fazer greve, já que se dizem constrangidos ao trabalho pelos seus chefes. Entendo que uma universidade é por excelência o espaço do diálogo. Não cabe aos seus dirigentes negar-se a ele ou interrompê-lo, como foi feito nas atuais circunstâncias, mesmo tendo que enfrentar a violência. Responder com a violência significa detonar um processo que, como estamos comprovando, ninguém sabe onde irá dar.

Os fatos presentes me levam a pensar que a USP precisa ser radicalmente reformada. Não se trata de que a Reitora renuncie ou de que a eleição para reitor seja direta. Trata-se de que a atual universidade, violentamente centralizada, cuja cúpula só não ignora as diferenças quando é para estabelecer absurdos degraus, deve ser radicalmente reformada. Será a única maneira de termos a esperança da garantia de que possa haver verdadeiro diálogo. E de que nunca mais um reitor ou reitora não seja capaz de encontrar outra resposta (mesmo que para responder à violência) a não ser trazer a Polícia Militar (essa herança da ditadura) para dentro do campus.

Atenciosamente,

Prof. Dr. Mario Miguel González


Relato do Profº Ádrian Fanjul (DLM/FFLCH - USP)
[info]2009uspgreve

Abaixo, a íntegra do relato do professor Ádrian Fanjul, da área de Espanhol do Departamento de Letras Modernas da FFLCH/USP. Esse relato foi elaborado no dia 09, após a ação repressiva da invasão da PM no campus Butantã da Universidade de São Paulo contra professores, funcionários e estudantes das três universidades estaduais paulistas. [grifos nossos]

"Caros colegas:

Hoje de tarde estava acontecendo a assembleia da ADUSP, no anfiteatro da Geografia, com uma grande quantidade de professores, quando fomos avisados que havia enfrentamentos com a Polícia. Uma parte da Assembleia foi ver o que acontecia, outros quiseram ir para mediar, muitos ficamos esperando no hall da Geografia.

Foi perfeitamente visível, primeiro, como a PM perseguia os manifestantes (muitos, vimos muitos alunos que cada um de nós conhece perfeitamente como aluno), e como jogava bombas e balas de borracha.

Vieram para o prédio e a polícia chegou a jogar várias bombas de gás pimenta dentro do hall, logo no momento em que, na Avenida, a Diretora tentava mediar.  Pelo menos um centenar de professores estávamos ali e tivemos que nos proteger desse ataque, vários passaram mal. Nós, corridos com bombas. Nós, docentes, pesquisadores, que imagino que não preciso dizer que não portamos armas, como não as portam os alunos nem os funcionários, mas antecipo isso porque espero que ninguém tenha o mal gosto, nestas circunstâncias, de teorizar justificativas sobre se merecíamos passar por esse trato. Depois de momentos de aflição, de nos reencontrar na confusão para tentar encontrar palavras para a humilhação e a injúria dessa gente que comanda (agora sim, o verbo faz sentido) a Universidade e que não podia não saber que ali acontecia a assembleia da ADUSP, decidimos fazer de tudo para tentar que a Faculdade não fosse invadida e não houvesse mais confronto.

A Diretora, Sandra Nitrini, dando um verdadeiro exemplo de quem se importa sim pela instituição que dirije, esteve tempo todo ali. Muitos dos professores presentes, junto com a Diretora, tentamos convencer os alunos (muitos) de que se reunissem no hall e não na Av. Luciano Gualberto. Em todo esse tempo, Suely Vilela não atendeu um só telefonemas dos muitos que foram feitos.

 Estão  presentes aqui um deputado e vários vereadores (desculpem, esqueci os sobrenomes deles), um dos quais conseguiu uma reunião com o Vice-Reitor, Franco Lajolo, convidando representantes das 3 categorias. Os docentes que estávamos (muitos, porque vários que não estavam, na Assembleia chegaram depois), decidimos que por parte dos docentes, participasse com uma comissão. Os estudantes em assembleia por enquanto decidiram não ir, mas  a comissão de professores decidiu ir igual e leva uma única proposta: chega desta vergonha, nem um policial no Campus.

O sentimento geral dos que estamos e estivemos aqui, nós, colegas de vocês,  corridos dentro de nossa própria Faculdade com gás lacrimogêneo, é que esta injúria precisa ser o fim de um caminho e alguém tem que ter a decência de sair de um lugar de poder que faz tempo que não lhe corresponde. Talvez o fato de que quem está tentando (ou aceitando?) falar com a comunidade é o Vice-Reitor, seja um sintoma de que chegou o final da  "gestão" que temos sofrido. Esperamos sinceramente que assim seja, quando o gás lacrimogêneo se disperse e a tropa saia. Posso usar esse plural porque entre nós, pelo menos todos que vi, ainda os mais moderados, havia uma grande coincidência nisso.

Estamos aguardando o resultado da conversação com Lajolo para o que agora preocupa todo mundo: a polícia no campus.

A Assembleia dos docentes será retomada amanhã, às 10h, na Geografia.

  Um abraço

Prof. Dr.  Adrián Fanjul."


Uma outra greve é possível
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Uma outra greve é possível

Esta semana (a partir de 15 até 19 de junho) é uma semana de greve no ensino alemão. Várias universidades e muitas escolas secundárias paralisaram suas atividades, em diferentes dias, mobilizando-se por mais verbas para a educação, melhores condições de ensino, e por uma gestão mais democrática do setor. Na Europa têm sido constantes os protestos estudantis motivados contra o chamado “Processo de Bolonha”, uma declaração conjunta dos países integrantes da União Européia. O artigo é de Flávio Aguiar.

Uma outra greve é possível. E uma outra reitoria também.

Esta semana (a partir de 15 até 19 de junho) é uma semana de greve no ensino alemão. Várias universidades e muitas escolas secundárias paralisaram suas atividades, em diferentes dias, mobilizando-se por mais verbas para a educação, melhores condições de ensino, e por uma gestão mais democrática do setor.

Na Europa têm sido constantes os protestos estudantis motivados contra o chamado “Processo de Bolonha”, uma declaração conjunta dos países integrantes da União Européia. Esse “Processo”, criado de 1998 a 2000, teve por objetivo centralizar e uniformizar as políticas educacionais européias, tendo como alvo aumentar sua competitividade em relação à dos Estados Unidos, no que se refere ao ensino superior. Na prática, ele trouxe a adoção de uma série de medidas inspiradas em critérios empresariais, e foi implantado sem consulta às universidades e outras agências em nível nacional. Significou uma diminuição do espaço público e um aumento da privatização do ensino, além de trazer uma aura de descompromisso dos estados nacionais para com o nível superior de ensino, com diminuição de verbas e por vezes de ofertas de cursos, particularmente aqueles considerados não-rentáveis, ou “de luxo”. A área de humanas foi particular e duramente afetada. (Ver, a esse respeito, o artigo de Lima, LC; Azevedo, MLN; Catani, AM; “O Processo de Bolonha, a avaliação da educação superior e algumas considerações sobre a Universidade Nova”).

Sobre a greve, uma decisão importante foi a da reitoria da Universidade Livre de Berlim (Freie Universität Berlin). O reitor enviou uma carta a todos os docentes pedindo que colaborassem com o movimento dos estudantes, evitando provas nessa semana, pedindo a não adoção de faltas ou outras medidas punitivas contra o movimento, e estimulando-os a participar de atividades como debates e aulas públicas sobre os temas do movimento.

Além da suspensão das aulas, das “aulas na greve” na própria universidade ou pelas diversas cidades alemãs, na quarta-feira, dia 17, houve manifestações de rua por toda a Alemanha. Em Berlim os estudantes se concentraram na Alexanderplatz (famoso lugar berlinense, um antigo bairro operário movimentadíssimo, arrasado pela guerra, hoje uma imensa praça em frente à prefeitura – ver o romance de Alfred Döblin, “Berlin Alexanderplatz”).

Carta Maior esteve lá: havia milhares de jovens (no olhômetro, pois o lugar é muito vasto e a multidão estava muito dispersa, calculei umas dez mil pessoas). Havia muitos jovens muito jovens, que vinham das escolas secundárias, muitos e muitos estudantes universitários, e alguns “seniores” que nem eu, que eram professores, também portando cartazes e faixas, como os outros. Muitos pais jovens levaram suas crianças, e havia um número significativo de paraplégicos com suas cadeiras de rodas motorizadas ou não. Como sempre, nessas ocasiões, era pequena a presença do “escalão médio de idade”, assim, digamos, entre os 30 e os 50 anos, em relação às outras faixas geracionais.

A manifestação evidentemente atrapalhou o trânsito, e modificou a circulação na região. Pude observar o ar irritado de uns tipos “executivos”, com seus ternos e gravatas, na casa dos quarenta anos, com aquilo que para eles devia ser uma perturbação inútil da “Ordnung”.

Havia reivindicações e cartazes para todos os gostos. Iam desde pedidos específicos, como “Um computador para a sala tal da Faculdade X” (esqueci o número e o nome) até o genérico “Mehr Geld für Bildung”, “Mais Dinheiro (ou Verba) para a Educação”. Também: “A educação não é um instrumento (Apparat, aparelho) da economia”. E havia os engraçados: “Mais cérebros para todos”, ou “Quando eu crescer, serei apenas um capital humano”.

A polícia seguia de perto e de longe a manifestação. Não houve confrontos, nem mesmo quando os manifestantes saíram em passeata em direção ao Hackescher Markt, outro ponto tradicional da cidade, antigo bairro judeu e hoje sede de uma série de espaços culturais, sindicatos, etc.

Mas não pensem que tudo são flores e jardins amenos. Na noite anterior, 14, um grupo de estudantes ocupou a reitoria da Freie Universität. O reitor, que enviara a carta, chamou a polícia, para a reintegração de posse. Mas houve uma negociação, conduzida por um grupo de professores, e os manifestantes se retiraram pacificamente do prédio, que ficou incólume, sem danos. É verdade que em sites da greve apareceram reclamações, dizendo que alguns dos estudantes foram “molestados” pela polícia. Mas nem de longe qualquer coisa que se assemelhasse àquilo com que estamos acostumados, quando a nossa polícia “entra em campus”.

Agora, quando digo que nem tudo são flores, quero dizer que também há espinhos brabos por aqui. Na França as manifestações dos estudantes contra as mesmas medidas têm sido marcadas pela repressão policial. Na Alemanha, em protestos de rua, é freqüente a presença dos “Autonomen”, “Autônomos”, grupos de centenas de jovens, que se auto-convocam pela internete, se vestem de preto, com óculos escuros ou lenços sobre o rosto, e que invariavelmente vão para o confronto com a polícia, queima de carros, apedrejamento de vitrines,e outras violências do gênero.

Na noite do dia 14, enquanto estudantes ocupavam a reitoria da FU, a televisão mostrou uma reportagem sobre um jovem aluno universitário que, em 2007, durante as manifestações contra o G-8, em Rostock (Carta Maior também esteve lá), perdeu uma vista devido à ação da polícia. A reunião do G-8 era em cidade vizinha, com forte aparato policial isolando os acessos. Grupos de jovens tentaram chegar ao local atravessando os descampados das áreas rurais. Também foram contidos pelos policiais.

Numa dessas ocasiões, a polícia, não se sabe muito bem por quê, resolveu dispersar os manifestantes com jatos de água. Aliás, quando daquela cobertura, pude constatar em várias ocasiões o despreparo, pelo menos daquelas forças policiais que lá estavam, para lidar com essas situações.

Além de repressora, a atitude dos policiais foi absurda, pois os jovens não bloqueavam qualquer caminho, nem investiram contra o aparato. O jovem em questão foi surpreendido – pois o clima não era de confronto – e tomou o aparentemente “inofensivo” jato de água de frente, em pleno rosto, o que lhe esmagou um dos olhos. O jovem agora processa a polícia que, por seu turno, nega ter qualquer responsabilidade pelo ocorrido (?!).

Muitos jovens – e pude conversar com alguns a respeito – reclamam que nos últimos anos houve um “endireitamento” do corpo docente, tornado mais e mais conservador em muitas áreas. Isso rima com aquela observação sobre gerações que fiz acima e em outras matérias, sobre a existência de uma “geração perdida” na Europa, a que amadureceu com a crise e a queda dos regimes comunistas do leste europeu. Felizmente entre os mais jovens a tendência é outra, mais participativa e também mais contestadora – o que não quer dizer que tenham propriamente nostalgia em relação aos regimes que ruíram. Têm, e há pesquisas interessantes a respeito – de alguns aspectos, sobretudo, é claro, nas áreas de emprego e políticas sociais. Além de que no lado oriental as políticas eram de pleno emprego, a situação das mulheres, por exemplo, em matéria de creches e direitos da maternidade, era muito melhor do que a de agora, no capitalismo triunfante.

De todo modo, a semana de greve pela educação foi cheia de ensinamentos para este correspondente. Entre eles, a de que, com todos os problemas e conflitos que podem existir, uma outra greve e um outro tipo de autoridade universitária são possíveis.

fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16040

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vale a pena!